sábado, 31 de julho de 2010

Plenitude!

A gente sempre convive com a certeza inabalável de ter pela frente a vida inteira, longa e interminável. Porém, à medida que vivemos, perdemos um pouco da nossa inocência.
Aprendemos a ter medo, a mentir e omitir, a enganar, difamar, iludir a nós mesmos e aos outros, a julgar e condenar, a dissimular o que sentimos e o pior, a não sentir, porque quanto mais vivemos, mais perdemos o sentido de ser. Perdidos ficamos e mais nos perdemos. E, como tudo fica curiosamente mais difícil, gastamos nosso precioso tempo maquinando facilidades na ânsia de desatar o que tomou proporções emaranhadas, simplificamos também o coração e a memória, incapaz, agora, de lembrar o quão inocentes já fomos. Houve um tempo em que parávamos para ouvir, arregalando os olhos, como se eles ajudassem a melhorar a audição. Olhávamos mais para as pessoas, reparávamos nelas, falávamos mais com elas, usávamos mais a gargalhada, éramos sinceros. Comprávamos fiado na quitanda da esquina (o que é quitanda mesmo?), confiávamos, acreditávamos, trocávamos figurinhas com vizinhos, na casa de quem sempre havia uma xícara fumegante de algo bom e acolhedor. Sentíamos mais perfumes, aroma de bolo quente, sabonete grande, fruta suculenta. Amávamos essências. Mas que desconsolo! À medida que crescemos, constatamos que a experiência é chata; as escolhas, quase sempre monótonas e ao chegarmos à velhice, damo-nos conta de que o destino é uma reta emparedada, ao término da qual há algo que já não importa mais, porque perdemos a importância. Parece que vamos perdendo a cor. A graça da descoberta se vai com ela, e com um vento misterioso chamado responsabilidade, escoa toda a nossa curiosidade. É nesse quando que tudo serve, tudo é igual, todos são coisas, a mesma coisa. Ficamos na mesma, um mesmo imenso. Tornamo-nos nós mesmos, sem saber disso. Será tão dificil compreender os termos? Acreditar? Eu respondo por mim mesma: NÃO!


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